Da cachoeira sem nome para mais de 500 residências

Vídeo relatando a nossa visita à Barreira do Janga

Há um tempo atrás, marcamos para que no começo de outubro (dia 11, para ser mais exato) fossemos fazer uma visita em um sistema independente de água, que se encontra no bairro do Saco Grande. Um bairro que, de acordo com o plano de saneamento municipal, possui três sistemas independentes de abastecimento de água (FLORIANÓPOLIS, 2021). No dia, durante a manhã chuvosa, juntamos o grupo de pesquisa e partimos até o endereço que nos foi fornecido conhecer um deles.

Localizado na Barreira do Janga, subindo o morro, nos encontramos na Associação Comunitária do Loteamento João Gonzaga da Costa. Encontramos com Flávio Júlio da Silva, que é o responsável pela manutenção do sistema hídrico, cuidando desde os canos que vêm das cachoeiras, até o reservatório e dos canos que chegam nas casas dos moradores. Ele também é morador da região. Trabalha ali há cerca de um ano e é quem nos apresentou toda a complexidade presente em toda essa rede de captação e fornecimento de água.

Esse sistema possui, nesse ponto, 10 caixas d’águas, que comportam, no total, 200 mil litros e fornecem água para algo em torno de  580 residências. Ao total, a associação trabalha com três reservatórios, presentes em pontos diferentes, com 13 caixas d’águas distribuídas nesses locais – que são limpas a cada 6 meses, em média. Cada reservatório acaba por abastecer uma área da região. 

Aqui não se utiliza bombas, mas sim da gravidade, que leva a água até as residências. Justamente por causa disso que se faz necessário esses três reservatórios. A água que vai para esses reservatórios vem de duas cachoeiras diferentes e, em tempos de emergência, a água também pode sair de um poço artesiano, que possui cerca de 120 metros de profundidade e se encontra presente ali.

A história do conselho comunitário está diretamente ligada à história do fornecimento de água da região. Há mais de quarenta anos atrás, os moradores faziam a captação de forma individual. Assim, cada residência tinha que ser responsável pela sua respectiva ligação na cachoeira. Mas a criação da associação veio com a necessidade de organizar todas essas captações. Esse sistema continua crescendo. Tanto que há uns 5 anos eles tiveram que construir um reservatório maior para comportar as novas ligações.

O tratamento é feito com pastilhas de cloro. O ph da água é monitorado e controlado através do cloro. Eles utilizam como métrica o delimitado pela vigilância sanitária e, junto ao acompanhamento da vigilância, a associação também faz uso de um laboratório que coleta uma amostra de água e ajuda a manter a associação bem informada sobre a água que a comunidade consome. Além da manutenção a partir da água do cloro, são também feitas pela associação visitas periodicamente às cachoeiras. A manutenção nos filtros é feita por uma empresa, para checar se nada está interrompendo o sistema e se está tudo funcionando.

Filtro de água utilizado neste sistema

Durante a visita, a todo momento podíamos perceber a presença da água através do som. Estávamos em cima dos canos que traziam a água tanto das cachoeiras, quanto de outros reservatórios. Aqui o caminho da água começa por sua vinda das cachoeiras ou do poço até um dos reservatórios, passando pelos filtros e chegando às caixas d’água onde o tratamento é feito com cloro. A partir de seu tratamento, ela percorre os canos para as casas de quem a consome, que pagam uma taxa mensal fixa, pois, neste sistema, não se faz uso de hidrômetros.

Referências
FLORIANÓPOLIS. PREFEITURA DE FLORIANÓPOLIS. Plano municipal de saneamento básico: versão final. Florianópolis. 2021. Disponível em: https://www.pmf.sc.gov.br/arquivos/arquivos/pdf/13_07_2021_9.16.35.2243db58c4c5f89fc2b76c48e240c658.pdf. Acesso em: 30 out. 2021.